A busca está mudando diante dos nossos olhos, e de forma muito mais rápida do que as empresas imaginam. Nas últimas semanas, usuários nos Estados Unidos começaram a ver anúncios integrados às respostas da IA dentro do Modo IA, o modo conversacional do Google que funciona como um “ChatGPT embutido” no buscador.
A novidade pode parecer apenas mais um ajuste no ecossistema de mídia. Mas não é.
Ela muda:
- como as pessoas descobrem soluções,
- como decidem o que comprar,
- como confiam em marcas,
- e como sua empresa precisa estruturar SEO, conteúdo e mídia daqui para frente.
Este artigo explica o que está acontecendo, por que o Google está fazendo isso, como isso afeta o comportamento de busca e o que as empresas precisam ajustar urgentemente.
E no final, você encontrará a opinião de um especialista em SEO da VINO sobre o cenário.
O que é o Modo IA e por que ele importa tanto
O Modo IA é o modo conversacional do Google, uma interface onde o usuário “bate papo” com a inteligência artificial em vez de receber uma lista tradicional de links.
Segundo dados divulgados nos EUA, o Modo IA já conta com 75 milhões de usuários ativos por dia.
A experiência funciona assim:
- O usuário faz uma pergunta.
- A IA gera uma resposta direta, contextualizada.
- Dentro dessa resposta, aparecem links orgânicos e agora links patrocinados.
Ou seja: além de responder, a IA também recomenda. E agora, as empresas podem pagar para serem recomendadas.
Por que o Google decidiu colocar anúncios dentro das respostas da IA
O Google precisa monetizar. Simples assim.
Somente no último ano fiscal, a empresa faturou US$ 264 bilhões em publicidade. Isso representa cerca de 75% de toda a receita da empresa.
Mas o modelo clássico de busca está saturado:
- avalanche de SEO repetitivo,
- conteúdo raso produzido por IA,
- excesso de anúncios antes de qualquer resultado útil,
- queda na confiança dos usuários.
Esse ambiente criou espaço para novas ferramentas como ChatGPT, Perplexity e Claude, que ganharam relevância justamente por entregar respostas sem anúncios.
O Google precisava reagir.
A solução encontrada foi tentar equilibrar monetização, experiência, relevância e a manutenção do ecossistema de ads.
Assim nasceu o novo formato: anúncios integrados diretamente na conversa da IA.
O que muda para o usuário
A experiência do usuário passa por uma transformação profunda. Se antes ele pesquisava, analisava links, comparava resultados e decidia qual caminho seguir, agora ele simplesmente conversa com a IA. E essa conversa, que antes era neutra, passa a carregar recomendações pagas misturadas às respostas orgânicas.
A fronteira entre conteúdo e publicidade se torna quase imperceptível: os anúncios aparecem dentro da própria resposta, integrados ao discurso da IA, sem aquele distanciamento visual da busca tradicional.
Isso altera também o momento da decisão. Quando a própria IA sugere um produto ou serviço durante o diálogo, muitos usuários deixam de consultar outras opções. Afinal, se a ferramenta que “entende tudo” já apontou uma direção, por que seguir pesquisando? A jornada encurta, e as escolhas acontecem antes mesmo do clique.
Essa mudança redefine o mapa mental de como buscamos informações. O usuário passa a confiar mais no conselho direto da IA do que em uma lista de links.
A IA deixa de ser apenas um intermediário entre o usuário e os resultados: ela se torna o primeiro consultor de compra. E isso, para marketing e vendas, muda absolutamente tudo.
O que muda para as empresas
A dinâmica competitiva do digital muda imediatamente. A disputa deixa de ser por posição no Google (aquela velha corrida por palavras-chave, backlinks e otimizações técnicas) e passa a acontecer dentro da própria resposta da IA. É uma arena nova, onde o algoritmo define, sozinho, quem entra ou não no jogo.
Esse movimento pressiona três pilares fundamentais das operações de marketing:
SEO e GEO
O primeiro é o SEO. A disciplina deixa de ser baseada apenas em técnica e velocidade e passa a exigir profundidade intelectual.
A IA não referencia empresas que repetem o óbvio nem blogs alimentados por conteúdos genéricos. Ela prioriza quem demonstra conhecimento real: análises consistentes, visão própria, interpretações fundamentadas. Surge, assim, o GEO (Generative Engine Optimization), uma nova abordagem de otimização voltada para modelos generativos, em que autoridade não é medida por ranking, mas pela capacidade de a IA interpretar sua marca como fonte confiável.
E isso exige conteúdo denso, proprietário e estruturado com lógica impecável. Quem continuar produzindo “mais do mesmo” simplesmente desaparecerá das respostas.
Mídia Paga
O segundo pilar é a mídia paga. A lógica deixa de ser a compra de visibilidade em blocos tradicionais e passa a ser a compra de presença dentro da conversa, disputando espaço com recomendações orgânicas da IA.
A marca que decidir anunciar ali precisará competir pela atenção em um ambiente muito mais sensível, onde a resposta da IA funciona quase como uma opinião, não como um anúncio destacado.
O impacto disso no planejamento é enorme: o custo de aparecer aumenta, a segmentação muda e as campanhas passam a atuar diretamente no “momento zero” da decisão, antes mesmo do usuário começar a comparar.
Jornada de compra
Por fim, a jornada do usuário sofre talvez a mudança mais profunda.
Com a IA entregando respostas diretas, o usuário pesquisa menos, clica menos, e deixa de navegar entre múltiplas abas. A comparação que antes era feita manualmente agora é terceirizada para a IA. Isso encurta o funil de forma radical. A decisão se forma na própria interface conversacional.
Consequentemente, funis tradicionais (pensados para conduzir o usuário por etapas longas de consideração) deixam de refletir o comportamento real. Marketing, vendas e conteúdo precisam se alinhar para esse novo cenário, onde o primeiro contato já influencia a decisão e o tracking precisa capturar interações que acontecem antes do clique.
Em resumo, o impacto é direto: o centro da disputa deixa de ser o tráfego e passa a ser a autoridade interpretada pela IA. E isso exige muito mais estratégia, profundidade e estrutura do que qualquer atualização de algoritmo que o mercado já enfrentou.
Como se preparar para esse novo cenário
A entrada de anúncios dentro do Modo IA é uma mudança de lógica. A IA passa a ser o principal conselheiro de compra, a audiência se desloca para interfaces conversacionais e o Google inicia um movimento claro de transformar a resposta (não o link) na nova “unidade de busca”.
Empresas que não se adaptarem a isso continuarão operando com estratégias desenhadas para um ambiente que está deixando de existir.
A seguir, vamos falar sobre os ajustes estruturais indispensáveis para manter relevância quando a IA passa a responder (e recomendar) em seu lugar.
1. Produza conteúdo digno de ser citado pela IA
A IA generativa não referencia conteúdos comuns. Ela prioriza materiais que demonstram profundidade, domínio e originalidade, ou seja, conteúdos que só poderiam ter sido escritos por quem vive o tema na prática.
Isso exige uma mudança de mentalidade: não é sobre escrever mais, é sobre escrever melhor.
Conteúdos de referência precisam:
- aprofundar conceitos em vez de apenas defini-los;
- apresentar contexto histórico, técnico e estratégico;
- explicar o “porquê”, não apenas o “o que”;
- trazer visão própria, frameworks autorais e análises únicas;
- incluir aprendizados reais extraídos de projetos e operações;
- oferecer respostas mais completas do que as alternativas que já existem.
E é aí que a VINO se destaca: em construir materiais densos, ancorados em estratégia e impossíveis de replicar.
2. Estruture o conteúdo com clareza lógica (para humanos e máquinas)
A IA não vai apenas ler o conteúdo; ela precisa entender, interpretar e confiar nele. E para isso, a estrutura é tão importante quanto a profundidade.
Conteúdos vencedores seguem princípios de clareza cognitiva:
- Respostas completas: sem deixar lacunas.
- Progressão lógica: explicações que evoluem de simples para avançadas.
- Narrativa integrada: sem saltos, sem contradições, sem redundância.
- Exemplos práticos: a IA reconhece aplicação real como sinal de autoridade.
- Contextualização: explicar cenário, impacto e implicações.
Quando o conteúdo apresenta raciocínio sólido, a IA o interpreta como “seguro” e, portanto, citável. Quanto mais claro o texto, mais alta a probabilidade de virar referência generativa.
3. Domine um território editorial específico
A busca generativa amplia um fenômeno importante: marcas generalistas desaparecem.
A IA referencia especialistas, não empresas que falam de tudo, para todos, o tempo todo.
Por isso, dominar um território editorial significa:
- escolher um tema principal (central, não genérico);
- construir profundidade repetida e consistente sobre ele;
- conectar branding + conteúdo + oferta em um único eixo;
- responder as perguntas que realmente movem o seu ICP;
- criar uma presença digital que a IA entenda como autoridade temática.
Território editorial não é um “tema”. É um posicionamento cognitivo.
É a forma como a IA passa a “enxergar” sua empresa. E quando essa leitura fica clara, a probabilidade de indicação aumenta exponencialmente.
4. Ajuste sua estratégia de mídia para o novo Modo IA
Com anúncios integrados às respostas conversacionais, o comportamento de navegação muda, e seus resultados de mídia também.
O CTR vai oscilar. O CPC tende a aumentar. E o usuário, muitas vezes, nem chegará ao site porque decidiu dentro da própria IA.
Isso cria três necessidades imediatas:
- Recalibrar orçamentos, considerando o impacto dos impostos e do novo ambiente.
- Revisar ofertas e criativos para um contexto onde a IA influencia o usuário antes do clique.
- Adaptar a estratégia de anúncios para competir dentro da resposta conversacional.
Pagar para aparecer não basta. É preciso pagar e ser contextual no fluxo de diálogo da IA.
5. Reconfigure seu funil para uma jornada mais curta e mais influenciada
A IA conversacional comprime a jornada. A comparação de alternativas, antes feita entre múltiplas abas e pesquisas, agora acontece dentro da própria resposta.
Seu funil precisa acompanhar essa mudança. Funis longos, complexos e desconectados da realidade atual deixam de refletir o comportamento do comprador e, por consequência, deixam de converter.
A nova lógica é clara: Se a IA encurta o caminho, seu funil precisa encurtar junto.

O que dizem os especialistas?
A nova atualização no leiaute dos resultados de pesquisa deixou os anúncios do Google Ads ainda mais parecidos com os resultados orgânicos. Agora, as 4 primeiras posições continuam sendo de quem investe em tráfego pago, mas com uma apresentação muito mais “natural” ao olhar do usuário.
Essa mudança não é por acaso. O Google sempre prioriza a experiência do usuário, e, com isso, traz para o jogo um novo comportamento: até mesmo aqueles que evitavam clicar em anúncios estão sendo impactados.
E vai além: com a chegada das respostas por IA generativa (AI Overviews), os anúncios patrocinados também passaram a aparecer dentro ou logo abaixo desses blocos de inteligência artificial. Ou seja, estamos literalmente inseridos nas respostas diretas que o usuário recebe do Google, o que amplia ainda mais a visibilidade — especialmente para quem tem estrutura de tagueamento, anúncios e páginas bem otimizadas.
O que isso reforça? Que o jogo da performance exige as duas estratégias bem alinhadas:
- SEO técnico e de conteúdo, para garantir autoridade e presença constante no orgânico.
- Tráfego pago com inteligência, para ocupar as posições de topo com relevância e conversão, agora inclusive nos blocos de IA.
Não é mais uma questão de escolher entre um ou outro. Quem quer gerar resultado precisa dos dois trabalhando juntos, com consistência, dados e foco em conversão.
Performance é isso: entender o cenário, adaptar rápido e seguir crescendo.
– Jonathan Estevam
Especialista em Performance & Sócio da VINO Marketing Digital
O futuro da busca está nas respostas
A entrada dos anúncios na IA marca o início de uma nova era:
- menos cliques,
- menos navegação,
- menos comparação,
- mais influência da IA sobre decisões de compra.
Para as marcas, isso significa uma coisa: Relevância futura depende da sua capacidade de ser citado mais do que encontrado.
O futuro da busca já mudou. A pergunta é: sua marca vai acompanhar? Se quiser adaptar seu conteúdo, seu funil e sua estratégia para o novo ecossistema de busca generativa, a VINO pode ajudar. Fale com nossos especialistas e prepare sua marca para o futuro!

