Quando empresas maduras desaceleram, a reação costuma ser previsível: alguém diz que “faltam ideias novas”. E, quase sempre, a organização compra esse diagnóstico sem contestar.
Contrata-se uma nova agência. Troca-se o discurso. Abre-se mais um canal. Aumenta-se o ritmo.
Poucos meses depois, o cenário é o mesmo. Porém, ele está mais caro, mais confuso e com a sensação incômoda de que algo está sendo feito, mas nada está sendo resolvido.
O problema não é a escassez de ideias. O problema é que empresas maduras continuam delegando decisões estratégicas para amadores.
Ideia é abundante. Responsabilidade é rara.
Ideias não são um ativo escasso. Qualquer profissional razoavelmente exposto ao mercado produz ideias em volume industrial.
O que é raridade é critério: a capacidade de avaliar impacto real, risco acumulado, custo de oportunidade e coerência com a trajetória da empresa.
Empresas com mais de dez anos de operação não vivem mais no território da experimentação inconsequente. Elas carregam:
- Marca construída ao longo do tempo
- Relações comerciais complexas
- Times internos impactados por cada mudança
- Margens que não toleram aventuras frequentes
Nesse estágio, cada decisão errada deixa rastro. E é exatamente aí que o amadorismo cobra seu preço.
O novo amador não parece amador
O erro comum é imaginar o amador como alguém despreparado, ingênuo ou desinformado. Esse tipo quase não existe mais.
O amador moderno fala bem, domina ferramentas, apresenta dashboards, cita métricas e usa o vocabulário correto. Ele parece profissional, até o momento em que precisa sustentar uma escolha difícil.
Alguns sinais são recorrentes:
1. Confunde movimento com avanço
Quanto mais inseguro, mais ações propõe. A empresa se mexe muito, mas consolida pouco.
2. Otimiza partes isoladas
Melhora clique, alcance ou engajamento, mas não consegue explicar por que o negócio não evolui na mesma proporção.
3. Trata decisões como reversíveis
Se algo não funciona, troca-se a campanha. Depois o canal. Depois o fornecedor. O problema nunca é estrutural, até ficar evidente que é.
Esse perfil sobrevive bem em ambientes onde errar não custa caro. No entanto, empresas maduras não oferecem esse conforto.

Estratégia para empresas maduras não é fazer mais. É decidir melhor.
Em organizações experientes, estratégia não é intensidade, criatividade ou energia. É uma renúncia bem informada.
Profissionais seniores não impressionam pela quantidade de ideias, mas pela capacidade de dizer “não” com fundamento. Eles entendem que:
- Crescimento sustentável exige sequência, não estímulo constante
- Posicionamento depende de coerência repetida, não de novidades frequentes
- Performance de verdade nasce de decisão certa sustentada no tempo
Isso não se aprende em ciclos curtos nem em ambientes onde sempre há um próximo teste para compensar o erro anterior. Aprende-se quando o erro permanece e precisa ser explicado.
A ilusão do fornecedor “cheio de ideias”
Empresas maduras frequentemente terceirizam a própria reflexão estratégica para fornecedores entusiasmados. É confortável. Alivia a pressão interna. Dá sensação de progresso.
Mas entusiasmo não substitui responsabilidade.
Quem não convive com o impacto da decisão no caixa, no time comercial e na reputação da empresa tende a sugerir caminhos que parecem ousados, mas são apenas desconectados do contexto.
Ideia sem contexto é ruído. E ruído, em empresa madura, também custa caro.
O que realmente trava empresas maduras
Não é falta de criatividade. É excesso de tolerância ao improviso.
Empresas maduras travam quando:
- Aceitam decisões sem diagnóstico profundo
- Premiam velocidade em vez de clareza
- Confundem atualização com evolução
- Delegam critério a quem nunca precisou responder pelo todo
Nesse cenário, contratar mais ideias é apenas ampliar o problema.
Para quem a VINO não é
É importante deixar claro, mas como filtro, e não como provocação.
A VINO não trabalha com empresas que:
- Querem testar marketing sem envolvimento real da liderança;
- Medem sucesso por volume de atividade;
- Buscam atalhos, promessas rápidas ou terceirização de decisões;
- Acreditam que a execução intensa compensa a falta de direção.
Esse modelo pode servir para quem ainda está aprendendo. Não para quem já construiu algo que precisa ser protegido.
O ajuste que empresas maduras evitam fazer
O ajuste necessário raramente é contratar alguém mais criativo. É parar de contratar gente que nunca pagou o preço de uma decisão errada.
Empresas maduras precisam de menos estímulo e mais sustentação. Menos movimento e mais direção. Menos ideias novas e mais escolhas certas mantidas por tempo suficiente para gerar efeito.
Se a sua empresa já ultrapassou a fase de experimentar tudo, talvez o próximo passo não seja buscar inovação, e sim maturidade estratégica aplicada de verdade.Se este é o seu caso, entre em contato com os especialistas da VINO!

